23/04/2016

Mentiras sinceras me interessam

Quem nunca contou uma mentirinha que atire a primeira pedra. Mas e quando você exagera na dose e as consequências se tornam desastrosas? 


"Em clima de 1º de abril, o Culturação desafia você a liberar seu lado Pinocchio (hoje pode) e nos conte qual foi a pior mentira que você já contou? Quais foram as consequências desta mentira?"


Lembro-me de uma vez, eu estava no nono ano do ensino fundamental e neste dia tive a última aula vaga. Como de costume, quando isso acontecia, todos os alunos (ou a maioria deles) iam para uma pracinha em frente a escola, jogar conversa fora e esperar alguém das outras séries pra não ir embora sozinho. 

Eu estava com uma amiga, a Solange ou Sol para os mais íntimos. Ela era a pessoa mais extrovertida da escola, uma negra que chamava a atenção de todos por sua simpatia e graça. Mas ela era terrível, adorava aprontar e neste dia tramou a mentira de nossas vidas. E foi assim que tudo aconteceu.

No caminho para a pracinha ela achou um cartão telefônico e teve a ideia de passar trote para alguém. Até aí tudo bem, já que essa era uma atividade comum daquela época. Ridículo, mas era. Após pensar bastante ela escolheu a vítima: sua irmã. 

Claro que ela não poderia ligar, então fui incumbida de fazer todo o trabalho sujo. O plano era dizer que a Sol tinha sido atropelada (olha a maldade). Eu disquei o número e fiz o meu teatro, a Sol arrancou o telefone da minha mão e disse: - Hoje não é primeiro de abril mas acabo de te contar uma mentira!!!!! - Ela ainda ficou ouvindo por alguns segundos antes de desligar e depois me disse: - Ferrou! - E se acabou de dar risada. Nunca senti tanto medo e remorso na minha vida. 

Claro que toda essa história não acabou nada bem. Ela ficou de castigo por uma semana e não pode ir à festa do ano que aconteceu naquela época (eu também não). Ouvimos um mega sermão da diretora da escola, dentro da nossa sala de aula, NA FRENTE DE TODOS OS ALUNOS e servimos como referência na escola quando o assunto era mentiras. Foi vergonhoso, mas merecemos, admito.

Depois daquele episódio aprendemos uma lição valiosíssima, parece clichê, mas não é. Aprendemos de verdade. O mais chato de tudo isso foi aguentar por um bom tempo as piadinhas dos babacas de plantão e os apelidos. Com esse meu narizinho-avantajado-de-origem-italiana imaginem como eu era chamada na escola...

Kisses d Mony!




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16 comentários:

  1. Gosto muito da forma como vc escreve, Monika!
    Imagino a cena...engraçado como o que antes era comum, hoj se tornou politicamente incorreto, ne?
    Bjks mil

    www.blogdaclauo.com

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    1. Oi Claudia, obrigada!
      Na verdade sempre foi errado, mas antes não existiam tantos dedos apontando.
      Beijo!

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  2. Oi Monika! Realmente a mentira faz parte da natureza humana...uma vez ou outra a gente termina mentindo ou omitindo alguma coisa pelos mais variados motivos. Quando pequena sempre fui muito quietinha e medrosa, por isso mentia quase nada, já que o medo de ser punida era maior que a aventura da mentira. Mas uma vez, já adulta, e minha filhinha Clara com apenas 4 anos, para desvencilhar-me de uma visita inesperada e desagradável me escondi e pedi para que minha sogra mentisse e dissesse que eu não estava em casa. Clara, que estava brincando perto, mas ouvindo tudo, expôs a mentira na hora: -Minha mãe tá em casa sim, ela tá ali em cima ó, escondida na escada! E eu tive que atender à visita chata e passei uma das maiores vergonhas de minha vida por causa dessa mentira.

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    1. Caramba Ilma que situação!
      Eu morreria de vergonha. Mentira é ruim de qualquer jeito, né? Ainda bem que já usamos nossa cota de mentiras e infelizmente, o preço que pagamos foi bem alto.
      Um beijo!

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  3. Que história doida menina, como você fez isso? Tsc tsc tsc tsc...
    Mas adorei o post, fica de exemplo pra galerinha que pensa em fazer algo parecido rs...
    E tá, tudo bem eu confesso... Também já passei trote, mas liguei e disse que a pessoa havia ganhado na tele sena kkkkkkkk

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    1. Ahahahaha
      Não me leve a mal Bia, coisas de adolescente, já passou.
      Sua mentira foi bem mais leve, quem dera na época eu tivesse a sua ideia, evitaria um montão de problemas.
      Um beijo!

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  4. Eu também saia da escola quando tinha a última aula vaga para ficar na pracinha!!! Acho que mentir faz parte da nossa natureza, desde cedo quando aprendemos que podemos tirar vantagem de algo ou não sofrer sanções pelo que fizemos, sorte nossa é que também temos um tipo de filtro para aprender que "mentira tem perna curta" kkkkkk. Eu não sou muito de mentir, nunca fui, mas na adolescência tinha que omitir muita coisa, das mais simples, como a saída mais cedo da escola até o grande amor da minha vida kkkkk - mas isso é história pra outra hora...
    E que fique a lição pra geral: mentir não é legal, nem quando é brincadeirinha!
    Beijos!

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    1. Verdade Rita, somos todos seres errantes e aprendemos com nossos erros. Se não fosse trágica, seria engraçada essa mentira. Qualquer dia conte uma mentira. Qualquer dia conte uma mentira em forma de postagem pra gente. Um beijo!!!!

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  5. Ai, coitada da irmã da Sol. Deve ter passado um baita susto.
    Eu não lembro de nenhuma mentira da minha infância, mas já devo ter contado (quem nunca?).
    Que bom que a situação de rendeu experiência e um post rsrsrs

    www.blogdahida.com

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    1. Hida você não tem ideia de como ela sofreu, tadinha. Mas acho que hoje ela deve lembrar com saudades já que a Sol não está mais aqui pra aprontar.
      Um beijo.

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  6. AAAAAAAAAAAI, eu teria morrido com as consequências dessa mENTIRINHA. Que dumal a diretora fechar com a cara de vocês na frente de todo mundo, além de perderem as festénhas badaladas do ano :(

    mas a lição fica, né. E as histórias também!

    beijo
    beinghellz.blogspot.com

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    1. Amiga, dumal? Põe dumal nisso. Ela era colocaria qualquer madrasta má no chinelo, com aquela postura impecável, cabelos em coque e nariz empinado. Sofremos. Vão-se os aneis e ficam-se os dedos ahahaha.
      Beijo!

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  7. Confesso que estava esperando um final mais trágico - do tipo a irmã da sua amiga ter chamado uma ambulância ou a polícia. Mas vocês aprenderam, e isso é o que importa!
    Sobre o seu comentário no meu blog: eu li a Odisseia recontada pela Ruth Rocha na escola ainda, e anos depois fui me aprofundar na história quando estava na faculdade.
    Bjs,

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    1. Oi Lê, nem brinque com uma coisa dessas. Acho que ficaríamos de castigo por um ano ou mais. Vou procurar a Odisseia, achei interessante, mas a releitura de Ruth Rocha nunca tinha visto. Adorei.
      Um beijo!

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  8. Olha, não vou dizer que nunca menti (já estaria mentindo né? Rsrs), mas meus pais me criaram de um jeito que eu nunca precisei mentir pra eles, mas até hoje amigas me pedem cobertura quando precisam sair escondido, e eu digo às mães delas que estão ou estavam comigo, quando na verdade eu estava em casa e elas na curtição tsc tsc C'est la vie ;)
    Beijo, beijo!!!

    Blog da Gih

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    1. Ahahahaha verdade Re,
      Eu era um saci quando mais nova, de tanto que aprontava, mas foi bom pois tirei belas lições. Essa de mentora para as mães da amigas é ótima, eu dizia: Você pode dizer que estava comigo que não vou negar, mas se ela me perguntar eu conto a verdade ahahahahaha. Minhas amigas queriam me matar.
      Um beijo!

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